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segunda-feira, 21 de junho de 2010

"Ela chega e instaura o seu cosmético caótico"

Beleza, charme, carisma, elegância. Atributos que em atrito nas mulheres nitroglicerinam-se. Bombas incendiárias, olhares dardejantes, sorrisos de napalm. Caras, bocas, ademanes, todo um arsenal de estilo e discrições pirotécnicas aplicado contra os incautos que pousem os olhos na Vênus incandescida. Rapidamente as vítimas quedam extáticas, embruxadas pela fulgurante visão. Deitem fora as amarras e os potes de cera: nada, rigorosamente nada é capaz de impedir os joelhos dobrados ante o canto hipnótico da beleza soberana.

Costumo deixar-me abater por esse tipo de sortilégio e gosto de observar, a distância, a rendição dos imprudentes. Comum, muito comum o espetáculo.

O curioso é que as detentoras dessa faca só lâmina, por mais hábeis que sejam no manejo, podem ferir-se com o gume do próprio magnetismo. A sedução pode ser um vício. Há mulheres que vivem entorpecidas pelo fascínio que exercem sobre os outros. Encantadas com o próprio encantamento, fazem da sedução uma prática constante e inconsequente, justificada pelo prazer reles e fugaz de... seduzir. A sedução pela sedução, sem desdobramentos ou promessas de deleite – chegam, fulminam e só. Depois... o depois não existe. Transformam em caos a sua potência quando, findo o eco da sereia, entoam o oco das evasivas.

Não, elas não conhecem o maná do amor nem as delícias tortuosas da paixão que infundem. Transbordam o poder, mas sucumbem ao (falso) pudor, privando-se mesquinhamente de dar-se a quem é já plenamente seu. Poderosas Górgonas. Pobres Afrodites.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Declaração de amor

Eu gosto da vida. Gosto mesmo. Ela bate, machuca, escarnece, derruba até, mas tudo bem: a gente levanta e segue adiante. Ela, a vida, na verdade é camarada. Como um amigo metido a engraçado, às vezes chato e sem graça, mas de que a gente gosta. E nada melhor do que uma sexta-feira para esse tipo de declaração de amor. É um bom dia pra a gente entender a brincadeira, vê-la piscar com um só olho e pensar: "Sacana!". Aí a gente ri com ela e diz: “Tudo bem. Eu gosto de você”. Os amigos que me leem, os que nunca tomarão conhecimento do que escrevo, os que não me toleram, abraço a todos neste fim de sexta-feira, nesta trégua redentora que vem no ventre e se alastra no vento eletrificado de toda sexta-feira.
Um beijo no coração. Do mundo.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dia dos namorados

Na última sexta-feira foi dia dos namorados. Nunca liguei muito para isso, acho uma data puramente comercial. Afinal, pra quem namora dia dos namorados é todo dia; pra quem não namora não é dia nenhum. Mas esse ano confesso que fiquei um tantinho ‘incomodada’. Os amigos todos comprometidos, com programas íntimos para a noite de sexta, casaizinhos na rua, nas lojas escolhendo mimos... a verdade é que isso não me fez bem. Não é inveja, não, longe disso, mas a mera constatação de que eu estava só quando todos pareciam acompanhados.

Apelei para o telefone. Liguei para a Ludmila, tinha viajado; tentei a Sandra, ia sair com uma amiga; chamei a Nanda para ir lá em casa, mas ela tava com um namoradinho novo, e tal. Até o Daniel, o Fim-de-Festa, já tinha compromisso. Ok, tudo bem, Djanira, uns filmes da locadora, uma pizza, um tinto honesto... precisa mais de quê?
E assim passou minha noite dos namorados. Estou até agora tentando me convencer de que não precisava de mais nada naquela noite friazinha da última sexta.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O valor necessário do ato hipócrita

Aninha faz o tipo recatada, pudica. Quase careta. É amiga de faculdade da Nanda. A Nanda é minha... sobrinha. Diz a Nanda que, nos papos das meninas, a Aninha sempre assume uma postura judicante. Quando surgem aquelas histórias de “ficou com quem?”, “deu pra quem?”, “pra quantos?”, invariavelmente tece um comentário maldoso, quando não ofensivo: “Vocês são fáceis mesmo, depois reclamam”; “Deviam é se valorizar, isso sim”. Conheci a figura numa festa com o pessoal da faculdade, mas não conversamos muito. Achei que ela não tinha ido com a minha cara.

Pois bem. No início da semana, recebi por e-mail umas fotografias com o título “Bobeou, tá na net”. Eram fotos, digamos, íntimas, de umas cinco ou seis meninas com três rapazes. Foi a Nanda que mandou, ela sabe que gosto (sim, eu curto material erótico...). As fotos eram realmente boas, flagrantes capturados com os detalhes e a invasão de privacidade próprios das câmeras digitais. Qual não foi a minha surpresa quando, entre as danadas, reconheço... a Aninha! Rá! A Aninha ali, brincando de pega-pega! No momento exato em que eu via as fotos, a Nanda liga pro celular. ‘E aí, viu as fotos que te mandei?’ ‘Tô vendo agora.’ ‘Caraca, não entendi nada... geral da faculdade já viu... pô, logo a Aninha... maior cachorra!’ ‘É...’ ‘Pô, Djanira, você não diz nada?’

Agora, analisando a situação com certo distanciamento, acho que a Nanda queria que eu falasse alguma coisa que condenasse a Aninha, e eu não disse. Afinal, se o fizesse, estaria na mesma posição judicante que própria Aninha tantas vezes adotou – e que a Nanda tanto criticava. Em vez disso, entre fascinada e incauta, respondi à pergunta da Nanda da seguinte forma, depois de uns poucos segundos em silêncio: “É, e eu não dei nada pela Aninha naquele dia, na festa...”. A Nanda desligou o telefone na minha cara. Há três dias não atende às minhas chamadas. Vai entender...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

É triste, mas é assim


Homem não sabe tratar mulher. Ponto. É triste, mas é assim. Homem não entende nossas necessidades, nossas carências, nossos desejos. O resultado: mulheres frustradas por causa dessas manifestações, não de desafeto ou recusa, mas de incompreensão. Essas histórias de ‘toco’, ‘tocobina’ nada mais são do que exemplos claríssimos do que digo.
Por outro lado, não se pode negar que existe mulher pegajosa, grudenta, que telefona trinta vezes por dia e quer ser bem tratada em cada ligação. Sei o que é isso, e dou razão aos carinhas que não atendem aos reiterados – e geralmente enfadonhos – telefonemas de mulher-chiclete. Sem falar na mulher-cerca, aquela que fica te rodeando em todo lugar. Parece que te segue e fica à espreita do momento (sempre importuno) de te abordar. Isso é péssimo, péssimo, acreditem. Nunca façam isso, se não quiserem ser rejeitadas.
Ademais, não se deve esquecer, é claro, uma razão singela que muitas vezes explica a repulsa e o desprezo do homem pela mulher: ele simplesmente não gosta dela. É triste, mas é assim. A propósito, recomendo um livro que pode esclarecer muitas questões em torno desse assunto. Trata-se de Ele simplesmente não está a fim de você – entenda os homens sem desculpa, best-seller de Greg Behrendt & Liz Tuccillo (vejam a capa ilustrando este post). Deixo essa indicação porque sei que algumas coleguinhas são chegadas em literatura. Aliás, como certamente nossas leitoras também gostam de bons livros, sempre que possível postarei algumas dicas de leitura, aconselhando títulos que, de alguma forma, fizeram de mim uma mulher melhor.
Um beijo no coração.

sábado, 16 de maio de 2009

O mundo é gay


O Dia Mundial de Combate à Homofobia será celebrado amanhã, domingo, 17. A data é alusiva ao 17 de maio de 1990, data em que a Organização Mundial de Saúde excluiu a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. A partir daquele dia, o homossexualismo não mais seria considerado enfermidade, distúrbio ou perversão.

Uma amiga querida costuma dizer, com propriedade, que “o mundo é gay”. Talvez ela saiba o que está dizendo. Talvez não. Percebo que os gays tendem à desconfiança (quando não à convicção) de que todos a seu redor partilham a mesma condição homossexual. Já ouvi dizer que tal crença seria uma espécie de estratégia subliminar de que se valem os gays na abordagem de eventuais parceiros. Será mesmo assim? Maybe...

A questão é que generalizações do tipo “o mundo é gay” sempre me parecem redutoras e perigosas, além de comumente descambarem para o preconceito. Quase sempre desconfio delas, muito embora, convenhamos, haja situações em que a generalização cabe como uma luva (seria o caso de “o mundo é gay”?).

Não perco de vista que vivemos num mundo contraditório, convulso, desajustado, no qual se digladiam bilhões de pessoas freneticamente chacoalhadas por desvios, transtornos e perturbações de toda ordem. E aqui me refiro a todas as pessoas, sem exceção e sem medo da generalização. Independentemente da condição sexual de cada um, o fato é que a retirada oficial da homossexualidade da lista de doenças, distúrbios e perversões enfraqueceu brutalmente a chance de a máxima “o mundo é gay” soar absolutamente verdadeira.