Foram anos de uma paixão alucinada.
Ele sempre muito confuso, muito inseguro.
Como todo homem. Mas com aquele ar de quem tá com tudo!
Ela já havia tido muitos homens na vida.
Alguns bacanas, outros bem canalhas.
Ele não. Tudo certinho.
Só mulheres parecidas.
Todas mulheres honestas no amor, recatadas na cama, certinhas nas profissões caretas.
Talvez até fosse isso que a atraísse nele.
Uma vontade de bagunçar aquela vida tão arrumadinha demais.
E ela se apaixonou de verdade.
Quando o via, subia uma coisa dentro dela incontrolável.
E ele não dava conta.
E ela queria mais. Pedia mais.
Mas ele medrava. Fazia que ia, mas fugia.
Dizia que queria, mas no fundo tinha pavor do que ela seria capaz de fazer com ele.
E no lugar de devolver o tesão e a paixão, devolvia agressão.
Falava palavras duras.
E ela insistia.
Porque não tinha medo de nada.
Corajosa. Porreta. Vivida, sabia que dava conta de tudo.
Até das maiores asneiras que escutava dele.
Ela até achava graça.
Achava tudo uma grande bobagem.
Mas foi ficando sem graça.
Foi achando ele cada vez mais igual a todos.
Tudo tão previsível.
Tudo tão sem o glamour que só a paixão faz ter...
E foram se afastando.
Deixaram de se ver, de se falar.
Mas ela sentia saudade dele.
Achava que sentia.
Foi achando que não sentia mais.
Ficou em dúvida se ainda sentia...
Outro dia passou por ele na rua.
Não sentiu nada.
Não subiu nada dentro dela.
Nem vontade de falar. Nem de saber dele. Nem de tocar nele.
Lembrou da História de Adele H.
Ela era apaixonada pela paixão por ele.
Não mais por ele.
Fios e atavios no Armazém4
Há 10 anos