Troço curioso esse da aparência! É como naquela réplica modesta ao elogio formal da beleza: “São seus oooooooooolhos!” E normalmente são mesmo. Veja o meu caso. Minha aparência não tem qualquer impacto aos olhos das mulheres. Sou daquelas que não desperta mais do que a indefectível escaneada feminina cabelo-roupa-sapato. Aos olhos masculinos, entretanto... Não é que eu tenha um conjunto tão especial, sabe? Possuo senso estético apurado e autocrítica irretocável para que essa noção me escape. Mas o fato é que sou dotada de dois atributos que despertam a libido masculina. Digamos que eu poderia responder diferentemente ao tal elogio: “É seu paaaaaaaaau!”
Na verdade, estou sendo pouco precisa. Sei exatamente o que atrai no meu conjunto, minha bunda e minha boca. Minha boca e minha bunda. A ordem depende se estou indo ou vindo, mas o efeito é sempre o mesmo. Só a forma masculina de manifestação da, digamos, admiração por esses atributos é que difere. Ela varia de acordo com quesitos como discrição, elegância, nível de testosterona, etc.
Felizmente, a genética me presenteou com uma terceira característica interessante. Essa não costuma estar associada às duas primeiras, o que me cobre de vantagens. Sou inteligente bagarai.
Mas fique tranquilo, amigo leitor. Isso não é prefácio pra frase “meu único defeito é que sou muito modesta”. Essa eu deixo para aquelas camisetas divertidas que se vê por aí nas meninas descoladas. Até porque sei muito bem dos meus muitos pontos fracos. Como disse, minha autocrítica é irretocável. Neste blog, estou sendo simplesmente sincera. Sou gostosa e inteligente, o que me leva a tratar esse assunto em tom quase confessional. Afinal, nenhuma mulher inteligente sai por aí alardeando que é gostosa. Donde se conclui que elegância tem tudo a ver com inteligência. Humm... vou sugerir essa frase pra alguma daquelas camisetas.
Não sei bem ao certo quando descobri esses poderes. Mas estimo que lá pros 12 aninhos os efeitos do trio boca-bunda-cérebro tenham começado a se manifestar sobre os homens. Foi mais ou menos a época em que a cintura foi afinando, a calça jeans recheando e eu descobrindo o batom cor de boca. É, o gloss veio bem depois.
Na verdade, os poderes do cérebro só vieram a ser mais bem explorados a partir dos 16. Obviamente, só pegava homem mais velho, o que aumentava ainda mais a aura sobre mim. As garotas desdenhavam “Não sei o que eles veem nela”. Os colegas de classe invejavam “Putz, o cara tem carro! O que eu não faria com aquela boca e aquela bunda dentro de um carro!”. O cérebro ajudava também a lidar com o desdém feminino. Apesar de saber que, no fundo, todas me odiavam, sabia que todas queriam ser eu. De alguma forma, isso se manifestava em magnetismo pessoal. Sei lá, acho que é o tal carisma.
Quanto aos homens mais velhos, eu sabia levá-los direitinho no bico, ou melhor, na boca. Não que fosse simples, mas era justamente o desafio que me instigava. No fim, estavam sempre todos rendidos. E eu, desinteressada.
E cá estou eu agora, cheia de histórias pra contar sobre uma vida muito interessante. Sou Cecília Kiddo, a mais nova comandante do pedaço. Comandar está no meu sangue. Acho que vai ser bom pra mim. E será melhor ainda pra você!
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Há 10 anos