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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Caídos, gastos, uns vendidos, uns bolhas.




Picadinho de Macho
Sandra de Sá
Vamos deixar esses caras de quatro
Mostrar que esses ratos não passam de patos
Espalhar que eles andam caídos
Rotos e gastos como velhas galochas
Vamos dizer que são bichas, brochas
São uns vendidos, uns bolhas, um saco!
Malhar o Judas, vou lá capar o macho
Que a meta é se vingar
Malhar o Judas, vou lá capar o macho
Sangue e salada no almoço e jantar
São uns bolas, caretas, xaropes
Tá pronto o barraco
Vamos armar picadinho de macho
Eu acho que não dá pra escapar
Porque nós vamos pegar pra capar
Vamos cobrar, e não vai ser barato
Fazer esses trapos de gato e sapato
Exibir como ficam perdidos
Sem nós, mulheres, pra tomar conta deles
Vamos dizer que são rudes e reles
Sub-dalas, trouxas, oh mala!
Metidinhos, marrecas, capachos
Tá temperado o picadinho de macho
Ah... Sentiu a pressão, malandro?

domingo, 18 de outubro de 2009

Eu vos declaro...

Eu não falo sobre o amor. Não gosto dele. Incomoda esse palco montado para duas pessoas. Prefiro a cama, sempre preferi. Acho que desde cedo via o travesseiro como lugar de deitar cabeça ou como objeto de calço de quadril para a foda vir com mais encaixe; nunca como o forro para as alianças atravessarem o altar. Acho feio, fedorento, sem sal, morno, castanho, esse tal amor.

Hoje ouvi o padre dizer que o perdão é fundamental; e que um casal deve sempre se perdoar entre si; fazer do perdão um exercício constante. E isso, depois de narrar toda aquela beleza do que deve ser o casamento: fidelidade, companheirismo, cumplicidade. Eternidade. Mas com perdão constante. Perdoe com regularidade, vacile com moderação. Não entendo, é conflitante. Como assim, Bial?

Acredito, no entanto, que ele exista, o amor. Já esbarrei com ele algumas vezes: fugi, me entreguei, repeli, afastei, mas o vi. Tateei, experimentei. Também fui cúmplice de alguns, espectadora de outros, torci por muitos, temi outros tantos - alheios e meus. Acho que ele nos rodeia, ele is in the air, como diz a música repetitiva.

Desconfio, em negrito, de algumas embalagens que, muitas vezes trazem, em seus tafetás, rendas e drapeados, pessoas compromissadas, geladas, duras, fiéis, adoradoras, sorridentes. Desconfio que mesmo com tanta devoção, não sejam amantes, companheiras, carinhosas, divertidas e legais. Entre si.

Transito entre amantes, convivo com maridos, mulheres, namorados, apaixonados embrulhados em papéis tão mais leves, tão menos brilhosos (mas não menos brilhantes: que fique claro), menos caros e tão mais amores, mais juntos, mais sorriso aberto. E a sensação de ver essas mãos dadas e cabeças encostando uma na outra me leva a um suspiro silencioso, interno: ufa.

O amor existe, está no ar, é celebrado, fica contente, se balança, se encontra. O amor goza, grita, geme, dorme e ronca, beija e abraça, dá tempo e sente saudade. O amor é vivo e como a gente é vivo e fica doente, o amor passa por poucas e boas: leva tombos, anda para trás, expira interrogações, dá medo. E ainda assim, pulsa. O coração tá lá batendo, a informação continua sendo enviada ao cérebro. A vida continua e ele espia tudo, sabe onde entrar, quando entrar, o que fazer, como andar e que roupa vestir.

O amor muge, dá leite, deita e dorme. Alimenta, traz pesadelo, faz adoecer, oferece cafuné e fica mudo.

Eu, normalmente, não falo sobre o amor.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dando defeito, de novo!

Ele tava de pau duro e eu tinha percebido.
Ele tentava disfarçar e eu também tinha percebido.

Sou a rainha das percepções. Queria poder canalizar o dom para outras esferas de minha vida, mas ainda não consegui.

Eu sabia que a atitude dele dependia de um primeiro movimento meu. Era eu quem guiava todo aquele acontecimento, sem que ele - homens não percebem certas coisas - pudesse identificar. Virei o pescoço, como para olhar para a porta do bar, na verdade, fazendo com que pensasse em seu queixo roçando ombro, nuca, orelha. Quando voltei, o bobinho estava justamente embevecido, olhando. Virei novamente, agora passando a mão, como que para mexer no fecho do cordão, que poderia perfeitamente estar incomodando, atrás.

Ele falava e bebia como quem morre, aos poucos. As palavras estavam esgotando e o corpo dele estava quente. Eu podia sentir, percebendo que o rosto estava levemente suado, apesar do arcondicionado; suas mãos batucavam rápidas, silenciosas, nervosas, a mesa. Ele olhava para mim, mas não via uma mulher sentada em frente. Ele via uma fêmea deitada, nua, aberta, só dele. Via-se um rei desejado, um macho cruzando, fazendo o outro bicho gritar.

Pegou a minha mão, quando alguma coisa mais significativa foi dita.

Tudo desmoronou, quando aquela mão segurou meus dedos um pouco mais forte. Eu já não percebia nada e a impressão era de estar nua, na Presidente Vargas, ao meio dia e meia, de sexta-feira. Sensação de que agora, ele estaria percebendo tudo. Que eu estava com tesão e disfarçava; que tinha medo de amá-lo de verdade. Que agora, a peteca estava na mão dele e eu podia perder a partida, se não rebatesse o mais rápido possível.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Cansada!

Odeio mulher oferecida. Quando digo oferecida, leiam dissimulada, sonsa, metida a bacana. Mulher tem que dizer a que veio, seduzindo, querendo, mas clara. E respeitando o que é dos outros. Sempre fui solteira, ando armada atirando no amor. Mas se vejo aliança no dedo, mão dada, foto na carteira ou beijo na boca, não me meto - a não ser que me convidem, é claro.

Mulher respeita, principalmente, a outra mulher. Porque homem veste a camisa do corporativismo masculino enquanto as babacas aqui se estapeiam por um minuto da atenção do Zé Mané. E pisca pro peguete da outra. Dá pro marido da amiga, seduz o cara por quem a prima está apaixonada. Esfrega a bunda no pau do barman que cantou a amiga solteira há meia hora atrás.

O nome disso é palhaçada, falta de respeito, sujeira. Das brabas. Sou a favor do descompromisso, mas que ele sempre venha acompanhado da clareza. Muito fácil as madames reclamarem dos homens que são galinhas, imaturos, desprendidos. Sim, eles são. Honremos, então, nossa superioridade para ensiná-los a se relacionar com o mundo, no lugar de alimentar pirocas doces e irresponsáveis.

Tô cansada de homem frouxo, de mulher disfarçada, de gente embaçada. Ainda acredito na possibilidade da clareza, da honestidade, da palavra limpa, da cara a tapa, sou a favor da merda no ventilador.

Porque a gente é livre e o mundo é grande o suficiente.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quando éramos virgens

Sempre fui meio retardada. Fui uma criança e uma pré adolescente careta, a última a beijar na boca e a última a perder a virgindade, ainda que tenha sido a primeira das amigas a ter peito, pelo e tpm. Todas as amiguinhas ficavam com o Vitor Hugo, com o Pedro Oliveira, com o Rafa Dias. Crescemos e elas davam para o "Rato", para o "Bob", para o "Dilema", para o "Osso". Eu, super virgem, cheia dos receios de descobrir todas as delícias de uma só vez e não ter mais sensação do novo na vida.

Isso fez com que os caras do condomínio desenvolvessem uma espécie de fixação em mim, já que eu era aquela que, entre o meu primeiro beijo e a primeira mão na bunda, deixei um intervalo de 3 ou 4 anos. Eles queriam apertar a minha bunda, passar a mão no meu peito, desabotoar meu sutiã enquanto eu, se ficasse com algum Zé Mané que se atrevesse a passar a mão por cima da minha calça de Bali, levantava o dedo e começava o bla bla bla mais chato do mundo.

Você tá pensando que eu sou o que? É isso que você quer? Alguém pra passar a mão??? Seu machista babaca, acha que mulher serve pra isso?

Todos faziam cara de saco cheio, falavam que iam ao banheiro e não voltavam mais.

Eu nunca ficava com os carinhas do prédio e sempre escolhia os desconhecidos das matinês. Mas tinha o Índio e o Ìndio... Ah, ele eu deixaria passar a mão na minha bunda. A gente chamava ele de Índio, porque parece que adolescente precisa dar apelidos e ele, ainda que não fosse um moreno de cabelo preto e liso, tinha um índio tatuado nas costas. Ele pegava onda e a gente descia toda tarde para ver os surfistas em ação.

Um dia eu fiquei com o Índio e ele não tentou passar a mão na minha bunda. Me deu uma dúzia de beijos gostosos, me apertava contra ele, mas... nada de bunda. Fui pra casa e, na hora de dormir, sentia um tremelique esquisito (hoje, meu velho conhecido) entre o peito e o umbigo, quando lembrava dos apertos do Índio e vislumbrava o quanto seria bom aquela mão grandona alisando minhas nádegas.

No outro fim de semana, teve um churrasco na casa do Gigante. O gigante morava no mesmo condomínio, mas o pai morava no Mansões e os churrascos dele eram sempre lotados de gente e, claro, todo mundo se pegando: carinha sentado na mureta de perna aberta com a menina encaixada, menina com menino se pegando dentro da piscina, aquela coisa. O Índio tava lá, segurando a latinha de cerveja com aquela mão enorme e eu pensando que aquela mão deveria estar na minha bunda e não na latinha de cerveja. Eu tinha 16 anos e alguém precisava passar a mão na minha bunda. Tinha de ser o Índio.

Os outros meninos ficavam sempre em cima de mim e, nesse churrasco, eles me olhavam de longe e eu cheguei a ouvir um vizinho meu, quando eu passei para o banheiro: Lá vai Dona Felícia Índio. Fiquei aliviada, porque sabia que chegaria o momento do Índio chegar em mim - nessa época tinha isso, o momento dos meninos "chegarem" nas meninas e isso era insuportavelmente gostoso, principalmente quando sabíamos que o nosso cara era certo.

O Índio chegou em mim, na hora esperada. E eu sabia que aquele seria o dia da minha bunda. Depois de um tempinho perto da piscina, fomos para trás da sauna, onde não tinha ninguém e onde eu poderia ter a minha bunda alisada longe dos olhos de todos.

Saí de lá extasiada. Aquele mãozão parecia estar grudado em mim. O que eu sentia não era passível de explicação. A impressão era de que nem quando eu transasse a primeira vez sentiria algo desse tipo. Tudo meu tremia, gritava, arrepiava. Eu era uma espécie de chilique ambulante. O Índio tinha passado a mão na minha bunda e eu poderia morrer afogada na piscina, que morreria feliz.

Saímos de mãos dadas e ele foi pegar mais uma cerveja. Fui ao banheiro fazer xixi e não voltei por fora da casa, mas pela sala, pois passei para pegar uma canga na mochila.

O Índio tava pegando uma nota de dinheiro de cada moleque do bando.

- Conseguiiiiiiiiiiu, hein!
- Esse é o nosso Cacique!
- Foi só na bunda ou no peito também?

Eu vomitei e tive febre esse dia. Passei mal a noite inteira, não conseguia nem chorar. Minha mãe perguntou o que eu tinha, meu pai preocupadíssimo, meu irmão maior soube e quis bater em todos, mas eu não deixei.

Nunca mais fiquei com o Índio, nem com nenhum menino do condomínio: ficava com vários meninos desconhecidos nas festinhas, deixava todos apertarem bunda e peito, fazendo questão que cada moleque daquela tribo estranha visse e passasse a noite toda tocando punheta pensando em mim.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jamais será!

Depois me chamam de amarga, de galinha, promíscua. Mas é assim que tem que ser. Esse blog está apresentando uma sucessão de insanidades femininas pelas quais eu, realmente, não esperava.

Djanira incomodada por conta do dia dos namorados já foi meio complicado de engolir. Agora, Renata enlouquecida born In love me faz perguntar o seguinte: o que vocês fazem ao longo de suas vidas que não aprendem com os acontecimentos ao seus redores?

Já disse, brilhantemente, uma amiga minha outro dia: Sabe por que a grama do vizinho é mais verde do que a nossa? Porque a dele é de plástico.

Não tem namoro que dê certo fora da televisão, não tem casal que se ame incondicionalmente, se complete e traga segurança um para o outro. Não e-xis-te.

Façam sexo, banalizem esse amor que nos ensinaram ser bom. Isso é coisa de mãe que apesar de nunca ter sido feliz no casamento, teima em plantar sonhos na cabeça de filha. As pessoas são egoístas e, se estão agradando você, pode acreditar: estão pensando no próprio bem estar (não sei se bem estar tem hífen, depois do novo acordo). E por que não fazermos o mesmo? Essa é a ética dos nossos tempos: relacionamentos líquidos, descartáveis. Prazeres imediatos, resultados a curtíssimos prazos, pessoas saindo de linha, servindo para algo pontual, antes de serem descartadas e... neeeext.

É isso que vivemos. Homens são condicionados a pensar que existe uma mulher mais legal, mais gostosa, mais divertida, com um boquete mais gostoso do que o seu. Pense que você já foi essa daí em relação à ex dele. É isso, não tem muito o que se discutir. Somos descartáveis.

Descartemo-los, então!!!

E mandem à merda o próximo que fizer você acreditar que dessa vez, tudo poderá ser diferente. Porque não será.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Uma merda.

Odeio família.

Tudo, no fim, acaba em não, em briga, em desentendimento,

mesquinharias. Putaria. Cobranças, desaforos, promessas em vão, ajudas cobradas, chantagens, mentiras.

Mágoas.

Arrependimentos, culpas, brigas, ofensas, machucados.

Duas pessoas se juntam em algum momento, com um interesse em comum.

E pimba! Um filho. Que lindo, que beleza que é a maternidade, a mulher dando a luz, gerando um alien dentro do ventre, o marido olhando a bunda da gostosa que não está com a boca inchada nem com cara de cansada pois não precisou se preocupar em qual buraco do colchão poderia encaixar aquela barriga pontuda que dá cistite e gases.

Maravilha.

O filho já vem berrando de dor, puto da vida, sem nem ao menos imaginar que a história só piora. Ao irmão, não agrada, nem um pouco, a idéia de dividir a atenção, os brinquedos, a mãe, o pai, os tios e quem mais ele acreditava ter garantido com o pequeno pacotinho rosado que só chora, faz cocô, xixi e solta pum.

Os bicos do peito da mãe estão rachados, sangrando, e o pacotinho só chora porque não sabe comer de outro jeito. A mãe... bem, a mãe está com os mamilos rachados e sangrando. Precisa mais???

A vó dá palpite, a outra vó critica a papinha, o avô fica jogando o neném pro alto, a mãe entra em crise, o irmão fica meio agressivo na escola, o pai chega tarde em casa do trabalho. A empregada pede aumento, pois agora, são dois bebês, né, dona. Quando eu vim trabalhar aqui, era só a senhora e o seu marido.

No fim, todo mundo se machuca e a mãe tem saudade do bico do peito rachado, o pai, daquela mulher com a boca esbugalhada, a criança sonha em lembrar de como era antes de virar pacotinho, o irmão se pergunta porque deixou de ser filho único. A sogra se pergunta onde o filho estava com a cabeça quando resolveu casar com aquelazinha, a outra sogra tenta entender onde errou na educação da filha para que ela aceitasse dar continuidade à linhagem daquele imbecil.

A empregada já está no sexto filho.

A família linda, no sexto ano de terapia, pra cuidar das culpas.

E viva a diane35, microvlar sem farinha, viva o nuva ring, e tudo que possa ser considerado contraceptivo eficiente.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

VALeu!

Não tô em busca. As coisas aparecem.

Valéria apareceu. Estava na hora certa, no dia certo, com a roupa certa e no lugar maravilhosamente errado: na minha frente, quando eu estava explodindo de tesão e acabado de levar um toco.

Ela trabalha no mesmo prédio que eu, e a gente nunca chegou a se esbarrar em algum projeto. Sempre olhei pra ela com olhos de quem acha o outro interessante, mas nunca levei a sério uma investida.

Mas não nesse dia, no ponto de ônibus. Eu tinha acabado de receber um torpedo desmarcando uma trepada dos deuses; o corpo ainda não tinha entendido que não visitaria o paraíso aquele dia e ficava mandando informações de excitação sexual por qualquer coisinha. Coisa de morder o lábio quando apertei o botão do elevador pra ir embora.

E Valéria estava lá, absoluta, com uma calça jeans surrada, camiseta branca com uma preta por cima. Uma mochila nas costas e a bolsa menor no ombro.

Não teve mais nem menos: Val rodou naquele dia mesmo. Passei-lhe um papinho de merda e consegui, em menos de 4 horas, completar o circuito Ponto de ônibus no Centro - chopp no Baixo Gávea - quartinho da Felícia aqui.

Desde então, Valéria reina absoluta no meu rol de telefones femininos.

Foi pra ela que eu liguei depois do último encontro e não foi menos bom. Nunca é menos bom.

Valzinha.

Tededico esse post!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

odiando amar

Algumas coisas eu odeio que aconteçam.

Elas acontecem, mas eu continuo odiando, ainda assim - essa coisa de que a gente acostuma é balela, nunca acostuma com coisa ruim.

Por duas vezes na vida eu acho que amei mesmo.

A segunda vez foi outro dia. Semana essa que acabou de nos deixar.

Enquanto a visão do rosto dele era tremida devido aos meus movimentos por cima do seu corpo, eu pensava que queria ter um filho daquele homem. Alguns minutos depois, ao lado dele, com a cabeça recostada em seu ombro, vi um fio de cabelo meu, perdido na barriga dele. E pensei que aquele prédio poderia desabar em cima de mim e dele, pensei que poderia morrer soterrada ou atingida por uma bala perdida e pensei tudo isso porque estava muito feliz com aquele cara.

E eu tentava não relaxar a boca pra não soltar um 'eu te amo' e não acabar com a minha reputação e com as minhas crenças a respeito desse tal de amor.

[ AMOR: Cafona, brega, feio tipo rosas vermelhas com roupa de veludo e pinta debaixo do nariz. ]

Mas as senhoritas estão pensando o que?

Depois que acordei e me despedi, com os olhos da alma cheios d'água de ter de me separar daquele homem por sabe-se lá quantos dias, fui no ônibus navegando pela agenda telefônica do meu celular já catando a presa sexual do dia seguinte: e essa seria uma mulher.

Pensei que ia chamar a Valéria logo na próxima noite, mas fiquei com pena de ocupar o corpo com outro cheiro assim, tão logo depois de ter sido tomada por uma coisa tão forte como foi pra mim o último encontro (ARGH!).

Dei um tempo maior.

Aí já é outro post.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Manu: ninguém é de ninguém.

Recebi e-mail de uma menina que leu o blog e achou por bem me contar a sua história. Ela namora há 6 anos e o cara arrepia e muda de assunto quando ela quer falar sobre o futuro dos dois - constituir família, procurar apartamento etcétera e tal.

Achei boa essa idéia, mexeu com meu ego. Espero que as amigas aqui também entrem nessa onda.

Transcrevo aqui o e-mail da moça. Nomes trocados, como toda coluna de conselhos amorosos.

"Oi, meninas. Tudo bem? Li o blog de vcs e achei bom ver essas opiniões todas juntas e resolvi compartilhar um pouco do meu problema com vcs. Conheci o Carlinhos e no dia seguinte, já viramos namorados. Estamos juntos há 6 anos e eu estou com 29 e ele, 31.

Acho que já estamos num momento da relação que pede uma mudança de estágio, entendem? Eu estou falando de casar - não necessariamente na igreja -, juntar nossos móveis, parar de tomar a pílula, essas coisas legais que casais fazem.

Carlinhos foge sempre que eu falo nisso, pergunto como vai ser, essas coisas. Um dia, ele perguntou: "Manu, por que você quer casar? Pra que estragar uma relação que tá tão boa?" - Fiquei passada quando ele usou o termo estragar, ligando-o ao que seria a celebração da nossa união. Acho que ele não gosta de mim, ou está com outra, que quer terminar comigo e tá sem coragem.

O que vocês acham?

Bjus, Manu"

Então, Manu, em primeiro lugar eu lhe digo que encontraste o homem certo! Carlinhos é do bem, nitidamente: é amor de verdade e o estrago no casamento é inevitável, pois o ser humano é muito mais amistoso no seu estado solteiro. Acredite, você também é assim e, depois de casada, se perguntará onde foi parar aquela namorada bacana que era.

Digo que ele é o homem certo, pois sempre desconfio desses apaixonados viciados em conhecer família, comemorar aniversário de namoro, essas coisas que chamam casamento. O cara certo, querida, não quer casar. Mesmo. O cara certo até casa, mas querer, ele não quer. E lá na frente, você verá que eu não estou cuspindo verdades aleatórias, confie em mim. Ele te ama, quer coisa melhor do que ser uma eterna namorada? O homem não foi feito para casar. Essa história de amor, de até que a morte os separe, toda essa parafernalha que a gente ouviu desde criancinha é mentira, não tem fundamento na realidade.

Ninguém é de ninguém - eis o caminho da verdade.

Eu sei que você continuará insistindo e vai acabar até conseguindo o que quer, engravidando, persuadindo, chantageando, ou até mesmo o Carlinhos resolve ceder. Eles cedem, a gente insiste, tenta, teima. E lá na frente, reclama, chora, tenta entender.

Espero que você lembre que precisou enviar um e-mail para pessoas desconhecidas, tamanha é a sua angústia hoje. As de 20 anos de casada são bem piores, pode anotar.

.comando moda.

Somos moças de estilo, mulheres do comando. Mostramos isso no nosso dia-a-dia, quando falamos, quando saímos, quando brigamos, quando escolhemos nossas músicas e filmes preferidos.

Na hora de se vestir, não podia ser diferente.
Precisamos mostrar ao mundo ao que viemos.

E nossos pés não podem deixar de carregar nossa identidade forte. Afinal de contas, é com eles que pisamos nesse chão, traçando nossos caminhos tão individuais e tão comuns, ao mesmo tempo, que fazem com que milhares de mulheres queiram nos seguir.

Seguir nossos passos, guardar sonhos, documentos, identidades, maquiagens, livros.

Precisamos de boas bolsas também.

Somos mais nós.

Somos do comando.

Somos http://www.redegalinhamorta.com.br/

Enjoy, fofas!

Beijo no coração

Essa mulher - Arnaldo Antunes

Uma música de bom dia, de comando para comando.

ela quer viver sozinhasem a sua companhia
e você ainda quer essa mulher
ela goza com o sabonete
não precisa de você
ela goza com a mão
não precisa do seu pau
ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher
que não sente a sua falta
e quando você chega em casa
ela não sente a sua presença
ela tem um travesseiro mais macio
do que o seu braço
e um acolchoado muito mais
quente que o seu abraço
ela quer viver sozinha
sem a sua companhia
e você ainda quer
essa mulher

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Acabei de voltar do bar.

Fui tomar um chopp com um amigo que não via há muito tempo. Estudamos juntos e chegamos a cogitar uma sociedade num projeto que não foi adiante porque ele foi morar em NY quando ganhou um concurso de arte.

Ele veio para o Rio para as bodas de ouro dos pais e me ligou; saí do trabalho e fui direto encontrá-lo. Papo vai, papo vem e pimba: Puxa, Fê, você tá tão bonita. Eu lembrava de você bonita, mas tem algo no seu olhar que está me desconcentrando.

Homens não são amigos de mulheres.

Nunca o são, até porque mulheres também sempre têm no amigo um possível marido, pai de filhos, namorado, companheiro, fuck buddy, o que for.

Mas essa coisa de que é possível um olhar completamente isento de desejo sexual entre homens e mulheres (ou entre quaisquer pessoas que façam parte do grupo de desejo sexual do outro) não existe. Seria lindo, mas não existe.

Quando a amiga pergunta pro amigo se tal blusa ficou bem nela, o amigo responderá com base no grau do tesão que ele sentiu ou poderia vir a sentir olhando como ficaram os peitos da amiga, entende?

Tem sempre sexo no ar e a maioria das relações são baseadas nesse "instinto". Basta olhar em volta, mergulhar um pouco mais fundo em como você trata seu/sua amigo/a do sexo que te atrai. Mesmo aqueles que não fazem o seu tipo, lá no fundinho você quer se sentir desejado/a.

É só reparar.

(Até que o Rafa está gostosinho, mas esse approach não me excita. Voltei para casa tendo apenas tomado 6 choppinhos.)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Poesia

Leandro, namorado da Fátima, mandou um poema para ela. Comparou o cheiro da namorada com o aroma de uma manhã de primavera na casa de veraneio, a maciez do cabelo com a seda chinesa mais nobre do reino dos tecidos, o gosto da boca com o raio que o parta.

Falei para a Fátima: já se ligou que ele tá te corneando, né, filha?

Porque as pessoas são assim. Já viu chefe elogiar sem depois entrar com uma crítica ou pedir para você trabalhar no sábado? Já viu filho dizer para a mãe que ela está linda sem depois entrar com um pedido de empréstimo? Já viu homem ser romântico no meio do namoro sem que tenha feito alguma manobra arriscada?

Não existe poesia que não seja moeda de troca, prêmiozinho de consolação, quando ela vem depois da primeira trepada.

Fátima ficou calada por 3 segundos, tentando não absorver a constatação do que já é sabido, nem que seja somente no reino do inconsciente. Sim, coleguinha, são todos iguaizinhos, idênticos, só muda o tamanho, a expessura, o endereço, o telefone e os demais dados pessoais.