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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quando éramos virgens

Sempre fui meio retardada. Fui uma criança e uma pré adolescente careta, a última a beijar na boca e a última a perder a virgindade, ainda que tenha sido a primeira das amigas a ter peito, pelo e tpm. Todas as amiguinhas ficavam com o Vitor Hugo, com o Pedro Oliveira, com o Rafa Dias. Crescemos e elas davam para o "Rato", para o "Bob", para o "Dilema", para o "Osso". Eu, super virgem, cheia dos receios de descobrir todas as delícias de uma só vez e não ter mais sensação do novo na vida.

Isso fez com que os caras do condomínio desenvolvessem uma espécie de fixação em mim, já que eu era aquela que, entre o meu primeiro beijo e a primeira mão na bunda, deixei um intervalo de 3 ou 4 anos. Eles queriam apertar a minha bunda, passar a mão no meu peito, desabotoar meu sutiã enquanto eu, se ficasse com algum Zé Mané que se atrevesse a passar a mão por cima da minha calça de Bali, levantava o dedo e começava o bla bla bla mais chato do mundo.

Você tá pensando que eu sou o que? É isso que você quer? Alguém pra passar a mão??? Seu machista babaca, acha que mulher serve pra isso?

Todos faziam cara de saco cheio, falavam que iam ao banheiro e não voltavam mais.

Eu nunca ficava com os carinhas do prédio e sempre escolhia os desconhecidos das matinês. Mas tinha o Índio e o Ìndio... Ah, ele eu deixaria passar a mão na minha bunda. A gente chamava ele de Índio, porque parece que adolescente precisa dar apelidos e ele, ainda que não fosse um moreno de cabelo preto e liso, tinha um índio tatuado nas costas. Ele pegava onda e a gente descia toda tarde para ver os surfistas em ação.

Um dia eu fiquei com o Índio e ele não tentou passar a mão na minha bunda. Me deu uma dúzia de beijos gostosos, me apertava contra ele, mas... nada de bunda. Fui pra casa e, na hora de dormir, sentia um tremelique esquisito (hoje, meu velho conhecido) entre o peito e o umbigo, quando lembrava dos apertos do Índio e vislumbrava o quanto seria bom aquela mão grandona alisando minhas nádegas.

No outro fim de semana, teve um churrasco na casa do Gigante. O gigante morava no mesmo condomínio, mas o pai morava no Mansões e os churrascos dele eram sempre lotados de gente e, claro, todo mundo se pegando: carinha sentado na mureta de perna aberta com a menina encaixada, menina com menino se pegando dentro da piscina, aquela coisa. O Índio tava lá, segurando a latinha de cerveja com aquela mão enorme e eu pensando que aquela mão deveria estar na minha bunda e não na latinha de cerveja. Eu tinha 16 anos e alguém precisava passar a mão na minha bunda. Tinha de ser o Índio.

Os outros meninos ficavam sempre em cima de mim e, nesse churrasco, eles me olhavam de longe e eu cheguei a ouvir um vizinho meu, quando eu passei para o banheiro: Lá vai Dona Felícia Índio. Fiquei aliviada, porque sabia que chegaria o momento do Índio chegar em mim - nessa época tinha isso, o momento dos meninos "chegarem" nas meninas e isso era insuportavelmente gostoso, principalmente quando sabíamos que o nosso cara era certo.

O Índio chegou em mim, na hora esperada. E eu sabia que aquele seria o dia da minha bunda. Depois de um tempinho perto da piscina, fomos para trás da sauna, onde não tinha ninguém e onde eu poderia ter a minha bunda alisada longe dos olhos de todos.

Saí de lá extasiada. Aquele mãozão parecia estar grudado em mim. O que eu sentia não era passível de explicação. A impressão era de que nem quando eu transasse a primeira vez sentiria algo desse tipo. Tudo meu tremia, gritava, arrepiava. Eu era uma espécie de chilique ambulante. O Índio tinha passado a mão na minha bunda e eu poderia morrer afogada na piscina, que morreria feliz.

Saímos de mãos dadas e ele foi pegar mais uma cerveja. Fui ao banheiro fazer xixi e não voltei por fora da casa, mas pela sala, pois passei para pegar uma canga na mochila.

O Índio tava pegando uma nota de dinheiro de cada moleque do bando.

- Conseguiiiiiiiiiiu, hein!
- Esse é o nosso Cacique!
- Foi só na bunda ou no peito também?

Eu vomitei e tive febre esse dia. Passei mal a noite inteira, não conseguia nem chorar. Minha mãe perguntou o que eu tinha, meu pai preocupadíssimo, meu irmão maior soube e quis bater em todos, mas eu não deixei.

Nunca mais fiquei com o Índio, nem com nenhum menino do condomínio: ficava com vários meninos desconhecidos nas festinhas, deixava todos apertarem bunda e peito, fazendo questão que cada moleque daquela tribo estranha visse e passasse a noite toda tocando punheta pensando em mim.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Toco

Acho que todo mundo um dia na vida já levou um toco. Se não levou ainda, qualquer hora dessas vai levar. Eu, por exemplo, num intervalo de quinze dias, levei dois. De dois homens diferentes, é claro, que não sou de dar murro em ponta de faca.

O primeiro tava semi-engatilhado, a paquera tava rolando na ferramenta de bate-papo durante a semana. Quando chegou o sábado e eu o encontrei na naite, resolvi partir pra cima, na certeza de que rolaria. Começamos o papo muito bem até que o sujeito surtou. Não ficamos. Não rolou. Não entendi a recusa. Fiquei passada. Mas tudo bem. Ninguém é obrigado a querer ficar com a gente.

O segundo é um fofo, um gostoso, que eu conheço desde que éramos pirralhos. Nos encontramos por acaso num show. Ele me elogiou, me abraçou e eu tentei uma abordagem diferente, tentei pegar a criatura. Ele me olhou com a sobrancelha levantada e eu entendi o recado. Recuei, né? Que jeito. Uma pena. Além do gatinho, perdi a oportunidade de fazer uso recreativo da substância ilícita que vez por outra ele carrega. Enfim...

É duro levar fora, mas a gente aprende a lidar com a coisa. A minha estratégia pra não ficar com a autoestima no chinelo é ligar pra um ex que ainda tem uma queda por mim. Querida, quando isso acontecer com você, não hesite: ligue pra um cara que você sabe que vai encher a sua bola! Recorra àquela cadernetinha de telefones surrada se for o caso, mas vale qualquer coisa pra levantar o seu moral. Mesmo o nerd da escola que tentava te beijar à força pode ser de grande ajuda num momento desses.

E nada de ficar em casa se lamentando. Acredite em você mesma e... NEEEEEEEEEEEEEXT!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Papo calcinha

Somos cinco amigas dispostas a falar sobre assuntos ditos femininos: do namoro à cor da calcinha no primeiro encontro, do estresse no trabalho ao sexo na sala de reunião, das novas tendências na moda ao modelito escrotérrimo da celebridade... “Ditos” porque todas sabemos que esses assuntos povoam as rodinhas masculinas também. Eles se fazem de blasés, mas muitos deles gostam tanto desses papinhos quanto nós. Mas como homem adora dar uma de macho, fingem que não falam nada. Ok, não vem ao caso agora. Tenho certeza que falaremos muito dos homens. E das relações afetivas, que, com certeza, serão um tema aqui recorrente.

Sejam todas muito bem-vindas ao Comando Rosa!