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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dando defeito, de novo!

Ele tava de pau duro e eu tinha percebido.
Ele tentava disfarçar e eu também tinha percebido.

Sou a rainha das percepções. Queria poder canalizar o dom para outras esferas de minha vida, mas ainda não consegui.

Eu sabia que a atitude dele dependia de um primeiro movimento meu. Era eu quem guiava todo aquele acontecimento, sem que ele - homens não percebem certas coisas - pudesse identificar. Virei o pescoço, como para olhar para a porta do bar, na verdade, fazendo com que pensasse em seu queixo roçando ombro, nuca, orelha. Quando voltei, o bobinho estava justamente embevecido, olhando. Virei novamente, agora passando a mão, como que para mexer no fecho do cordão, que poderia perfeitamente estar incomodando, atrás.

Ele falava e bebia como quem morre, aos poucos. As palavras estavam esgotando e o corpo dele estava quente. Eu podia sentir, percebendo que o rosto estava levemente suado, apesar do arcondicionado; suas mãos batucavam rápidas, silenciosas, nervosas, a mesa. Ele olhava para mim, mas não via uma mulher sentada em frente. Ele via uma fêmea deitada, nua, aberta, só dele. Via-se um rei desejado, um macho cruzando, fazendo o outro bicho gritar.

Pegou a minha mão, quando alguma coisa mais significativa foi dita.

Tudo desmoronou, quando aquela mão segurou meus dedos um pouco mais forte. Eu já não percebia nada e a impressão era de estar nua, na Presidente Vargas, ao meio dia e meia, de sexta-feira. Sensação de que agora, ele estaria percebendo tudo. Que eu estava com tesão e disfarçava; que tinha medo de amá-lo de verdade. Que agora, a peteca estava na mão dele e eu podia perder a partida, se não rebatesse o mais rápido possível.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

renata.mdc.com.br

É, o namoro não vai bem. Desde o fatídico telefonema na madrugada, meu namorado esquisitou. E quer saber, por mais que o adore, não tenho muita paciência. Já expliquei, conversei honestamente, mas ele teima em desconfiar de mim. Agora estou quieta.

Aí, vocês sabem como é a vida... as coisas acontecem. Coincidências, alguém há de dizer. Numa noite de quinta-feira, depois de uma discussão brabíssima com meu gatinho, uma amiga chamou para um showzinho num pub em Copa. Eu, que tava amuada, resolvi acompanhá-la pra me distrair, espairecer, esquecer tudo o que ele disse e me magoou.

Estava lá curtindo o show na minha, na boa. Minha amiga tava sendo paquerada por um carinha, tava na iminência de beijá-lo. Eu tava dançando, bebendo minha long neck, quando o tal sujeito do meu último post – o que ligou às duas da matina – passa por mim. Ele sorri e eu retribuo. Me cumprimenta levantando a sobrancelha. Num ímpeto, furo a multidão para me aproximar dele: ei, vem cá! Pronto, dei a senha pra ele se aproximar. Beijo no rosto com mão na cintura, você continua linda. Nem 30 segundos pro primeiro beijo na boca. Nem 30 minutos pra seguirmos pro motel mais próximo. Ai... Suspiros...

Ele se despediu querendo saber quais meus planos para ele. Não tenho planos, quero recuperar minha relação agora desgastada. Estou confusa, gostei da noite, gostei de rever o cara, na verdade, gostei de muito mais que isso (vocês sabem!), mas amo meu namorado.

Amigas leitoras, preciso de ajuda: o que eu faço? Não sei mentir, estou mal com esse segredo. Não pretendo contar pro meu namorado, mas como me livrar da culpa pelo que fiz? E o gatinho com quem transei? Ele tem me ligado, mas eu não sei o que fazer. Por favor, quem já tiver passado por situação semelhante ou tiver qualquer ideia que possa me ajudar escreva.

Estou realmente muito mal de cabeça. Preciso tirar esse sentimento de mim. E voltar às boas com meu amorzinho. Ou vocês acham que pode haver outro caminho? Será? Será que dou uma chance pro outro gostoso, opa!, quer dizer, cara?

Tô muito confusa... muito... muito... (Pra quem eu telefono agora?)

Quando éramos virgens

Sempre fui meio retardada. Fui uma criança e uma pré adolescente careta, a última a beijar na boca e a última a perder a virgindade, ainda que tenha sido a primeira das amigas a ter peito, pelo e tpm. Todas as amiguinhas ficavam com o Vitor Hugo, com o Pedro Oliveira, com o Rafa Dias. Crescemos e elas davam para o "Rato", para o "Bob", para o "Dilema", para o "Osso". Eu, super virgem, cheia dos receios de descobrir todas as delícias de uma só vez e não ter mais sensação do novo na vida.

Isso fez com que os caras do condomínio desenvolvessem uma espécie de fixação em mim, já que eu era aquela que, entre o meu primeiro beijo e a primeira mão na bunda, deixei um intervalo de 3 ou 4 anos. Eles queriam apertar a minha bunda, passar a mão no meu peito, desabotoar meu sutiã enquanto eu, se ficasse com algum Zé Mané que se atrevesse a passar a mão por cima da minha calça de Bali, levantava o dedo e começava o bla bla bla mais chato do mundo.

Você tá pensando que eu sou o que? É isso que você quer? Alguém pra passar a mão??? Seu machista babaca, acha que mulher serve pra isso?

Todos faziam cara de saco cheio, falavam que iam ao banheiro e não voltavam mais.

Eu nunca ficava com os carinhas do prédio e sempre escolhia os desconhecidos das matinês. Mas tinha o Índio e o Ìndio... Ah, ele eu deixaria passar a mão na minha bunda. A gente chamava ele de Índio, porque parece que adolescente precisa dar apelidos e ele, ainda que não fosse um moreno de cabelo preto e liso, tinha um índio tatuado nas costas. Ele pegava onda e a gente descia toda tarde para ver os surfistas em ação.

Um dia eu fiquei com o Índio e ele não tentou passar a mão na minha bunda. Me deu uma dúzia de beijos gostosos, me apertava contra ele, mas... nada de bunda. Fui pra casa e, na hora de dormir, sentia um tremelique esquisito (hoje, meu velho conhecido) entre o peito e o umbigo, quando lembrava dos apertos do Índio e vislumbrava o quanto seria bom aquela mão grandona alisando minhas nádegas.

No outro fim de semana, teve um churrasco na casa do Gigante. O gigante morava no mesmo condomínio, mas o pai morava no Mansões e os churrascos dele eram sempre lotados de gente e, claro, todo mundo se pegando: carinha sentado na mureta de perna aberta com a menina encaixada, menina com menino se pegando dentro da piscina, aquela coisa. O Índio tava lá, segurando a latinha de cerveja com aquela mão enorme e eu pensando que aquela mão deveria estar na minha bunda e não na latinha de cerveja. Eu tinha 16 anos e alguém precisava passar a mão na minha bunda. Tinha de ser o Índio.

Os outros meninos ficavam sempre em cima de mim e, nesse churrasco, eles me olhavam de longe e eu cheguei a ouvir um vizinho meu, quando eu passei para o banheiro: Lá vai Dona Felícia Índio. Fiquei aliviada, porque sabia que chegaria o momento do Índio chegar em mim - nessa época tinha isso, o momento dos meninos "chegarem" nas meninas e isso era insuportavelmente gostoso, principalmente quando sabíamos que o nosso cara era certo.

O Índio chegou em mim, na hora esperada. E eu sabia que aquele seria o dia da minha bunda. Depois de um tempinho perto da piscina, fomos para trás da sauna, onde não tinha ninguém e onde eu poderia ter a minha bunda alisada longe dos olhos de todos.

Saí de lá extasiada. Aquele mãozão parecia estar grudado em mim. O que eu sentia não era passível de explicação. A impressão era de que nem quando eu transasse a primeira vez sentiria algo desse tipo. Tudo meu tremia, gritava, arrepiava. Eu era uma espécie de chilique ambulante. O Índio tinha passado a mão na minha bunda e eu poderia morrer afogada na piscina, que morreria feliz.

Saímos de mãos dadas e ele foi pegar mais uma cerveja. Fui ao banheiro fazer xixi e não voltei por fora da casa, mas pela sala, pois passei para pegar uma canga na mochila.

O Índio tava pegando uma nota de dinheiro de cada moleque do bando.

- Conseguiiiiiiiiiiu, hein!
- Esse é o nosso Cacique!
- Foi só na bunda ou no peito também?

Eu vomitei e tive febre esse dia. Passei mal a noite inteira, não conseguia nem chorar. Minha mãe perguntou o que eu tinha, meu pai preocupadíssimo, meu irmão maior soube e quis bater em todos, mas eu não deixei.

Nunca mais fiquei com o Índio, nem com nenhum menino do condomínio: ficava com vários meninos desconhecidos nas festinhas, deixava todos apertarem bunda e peito, fazendo questão que cada moleque daquela tribo estranha visse e passasse a noite toda tocando punheta pensando em mim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

VALeu!

Não tô em busca. As coisas aparecem.

Valéria apareceu. Estava na hora certa, no dia certo, com a roupa certa e no lugar maravilhosamente errado: na minha frente, quando eu estava explodindo de tesão e acabado de levar um toco.

Ela trabalha no mesmo prédio que eu, e a gente nunca chegou a se esbarrar em algum projeto. Sempre olhei pra ela com olhos de quem acha o outro interessante, mas nunca levei a sério uma investida.

Mas não nesse dia, no ponto de ônibus. Eu tinha acabado de receber um torpedo desmarcando uma trepada dos deuses; o corpo ainda não tinha entendido que não visitaria o paraíso aquele dia e ficava mandando informações de excitação sexual por qualquer coisinha. Coisa de morder o lábio quando apertei o botão do elevador pra ir embora.

E Valéria estava lá, absoluta, com uma calça jeans surrada, camiseta branca com uma preta por cima. Uma mochila nas costas e a bolsa menor no ombro.

Não teve mais nem menos: Val rodou naquele dia mesmo. Passei-lhe um papinho de merda e consegui, em menos de 4 horas, completar o circuito Ponto de ônibus no Centro - chopp no Baixo Gávea - quartinho da Felícia aqui.

Desde então, Valéria reina absoluta no meu rol de telefones femininos.

Foi pra ela que eu liguei depois do último encontro e não foi menos bom. Nunca é menos bom.

Valzinha.

Tededico esse post!